Obesidade Infantil

Como surge a obesidade

A origem da obesidade infantil resulta da combinação de uma série de factores:
factores de ordem alimentar – quando uma criança consome mais calorias do que aquelas que gasta, resultando este “saldo positivo” numa alimentação hipercalórica;
factores de ordem ambiental e cultural – quando a criança está inserida numa família que não tem hábitos de actividade física; quando mora num local onde não existem espaços para correr, saltar, trepar; quando o carro é o único transporte utilizado; ou quando a criança não é incentivada a fazer exercício físico;
factores de ordem genética – a hereditariedade também influência o balanço genético de cada pessoa. É por isso muito importante que a promoção de hábitos saudáveis se faça desde a infância.

A partir de que valores uma criança é considerada obesa?

O cálculo da obesidade infantil faz-se recorrendo a uma escala que combina quatro factores: idade, sexo, peso e altura da criança.
O peso e a altura permitem calcular o Índice de Massa Corporal:

Nos adultos, e seguindo a escala da OMS, o IMC classifica-se do seguinte modo:
    IMC < 18,5 = peso abaixo do normal
    IMC entre os 18,5 e 24,9 = peso normal
    IMC entre os 25 e os 29,9 = pré-obesidade
    IMC ≥ 30% = obesidade

No caso das crianças, o IMC deve ser percentilado tendo como base tabelas de referência. Quando o IMC é igual ou superior ao percentil 85 e inferior ao percentil 95 é possível fazer um diagnóstico de pré-obesidade.
Quando o IMC é igual ou excede o percentil 95 considera-se que existe obesidade.

Consequências: que riscos corre uma criança obesa?

A obesidade tem consequências físicas e psicológicas. As consequências físicas são óbvias: uma criança com excesso de peso pode ter (ou vir a ter) problemas cardiovasculares, respiratórios e ortopédicos. Outra consequência, não menos grave, é o diagnóstico de diabetes tipo II, que até há pouco era exclusivo dos adultos, e que começa já a não ser invulgar entre crianças obesas.

A nível psicológico – e ao contrário da ideia estabelecida de que os gordos são bem-dispostos – muitas crianças obesas sofrem verdadeiramente com este problema. Sentem-se desconfortáveis, envergonhadas e têm, o que não é raro, problemas de auto-estima e dificuldades em relacionar-se com os colegas.

Evitar discriminações e troças: como lidar com o problema na escola?

Muitas vezes, as crianças obesas são gozadas sem qualquer pudor; noutras, a discriminação é mais subtil, mas não menos sentida, nem menos preocupante. Acontece com frequência, por exemplo, que os mais “gordinhos” sejam postos de parte no momento de se constituírem equipas para os jogos (ou serem os últimos a ser escolhidos… e a muito custo).

É neste momento que começa um ciclo que é difícil de ser interrompido. À partida, uma criança obesa tem vergonha do seu corpo e não se sente à vontade (nem gosta) de se mexer. Posta de parte pelos colegas no recreio, menos vontade tem de participar. Como não participa, tem maiores probabilidades em ganhar peso…

Este é um momento em que o professor pode intervir, explicando como é importante ajudar o(s) colega(s) com excesso de peso e que esta pode passar a ser (também) uma tarefa da turma.
Para além disso, é muito importante que o professor valorize as características positivas destas crianças, que lhes atribua papéis que contribuam para a sua integração, mesmo no campo desportivo.
Paralelamente, e obrigatoriamente sempre com a família, será necessário fazer um trabalho ao nível da educação alimentar e da promoção de estilos de vida saudáveis.

 

 

 

 

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